Dinheiro
Empresas fechando no Brasil — e o que isso diz sobre 2026

Quase 3 milhões de empresas encerraram as atividades no Brasil em 2025. É o tipo de número que parece erro de digitação até você parar e pensar no que representa — não falências espetaculares, mas negócios que simplesmente deixaram de existir, na maioria sem nota de imprensa.
Os empresários que viveram isso falam das mesmas coisas. Juros. Burocracia. O custo de ter funcionário registrado. A tributação que come a margem antes de sobrar lucro. Nada disso é revelação — mas quando tudo aparece junto, o negócio que parecia viável em janeiro começa a fazer pouco sentido em outubro.
12% de imposto e o Brasil ficou para trás
O Paraguai tem uma norma chamada Lei de Maquila. Ela permite que empresas estrangeiras produzam no país pagando cerca de 12% de carga tributária, desde que a produção seja voltada para exportação. Mais de 200 empresas brasileiras já foram por esse caminho — e provavelmente tem mais que foram sem aparecer em nenhum levantamento.
Doze por cento. Vale repetir porque é o tipo de dado que some no meio de um parágrafo sem causar o impacto que deveria. Enquanto isso, o debate no Brasil gira em torno de reforma tributária que promete simplificar sem necessariamente aliviar. As empresas trocando o Brasil pelo Paraguai não esperaram o resultado dessa conversa.
Antes do Paraguai, já tinha fila
A Ford foi em 2021. Fechou Taubaté, Camaçari, Horizonte — fábricas com décadas de história que viraram manchete por alguns dias e depois sumiram do noticiário. A Sony foi no mesmo ano, sem fábrica para fechar, mas levou a linha inteira de eletrônicos embora. Mercedes-Benz e Audi desmontaram produção de carros de passeio cada uma no seu ritmo, em cidades que tinham organizado parte da economia local em torno dessas plantas.
O HSBC saiu em 2016. O Bradesco pagou R$ 16 bilhões — um número que soa como vitória brasileira dependendo de como você conta a história. A Holcim vendeu as operações e seguiu. A Aston Martin fechou a última concessionária em São Paulo em março de 2017 sem explicar direito o motivo, o que talvez seja a parte mais honesta de todas essas saídas.
Nenhuma empresa dessas disse abertamente que o Brasil ficou caro demais. Mas nenhuma voltou.
O peso que 2026 herda
O governo bateu recordes em aumento de impostos nos últimos anos — e o ambiente para quem produz aqui não melhorou na mesma proporção. Três milhões de encerramentos num único ano é muita cadeia produtiva desmontada, muita relação de fornecimento que não se reconstrói rápido.
O problema não tem um nome limpo. É a soma de coisas que individualmente parecem administráveis — burocracia, tributação, custo de pessoal, instabilidade regulatória — mas que juntas criam um cálculo que não fecha. Não para todo mundo, mas para gente suficiente para o número chegar em 3 milhões.
Em resumo: O Paraguai não ficou mais atraente. O Brasil ficou mais difícil.
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