Dinheiro
“Redução do IPVA vai privilegiar os ricaços”, diz deputado do PT

A CCJ da Câmara aprovou uma mudança na forma de calcular o IPVA. Pela PEC 3/26, de Kim Kataguiri, o peso do veículo pesa mais que o valor de mercado na conta do imposto. Para Helder Salomão (PT-ES), a distorção é clara: “o cara que tem um caminhão velho, pesado, vai pagar um imposto maior do que o cara que tem uma Ferrari construída com fibra de carbono, levíssima.”
Peso substitui preço na conta do imposto
Hoje, quem paga IPVA sente na pele a valorização do próprio carro. Carros novos e usados subiram de preço nos últimos anos, e o imposto subiu junto — resultado: muita gente segurando a troca de veículo só para fugir do peso dos impostos sobre os brasileiros.
Se aprovada em definitivo, a PEC muda o critério base: sai o valor de mercado, entra o peso do veículo. Carros mais leves — geralmente os mais caros e modernos — tendem a pagar menos. Já modelos pesados, como picapes e utilitários antigos, podem sentir o efeito contrário.
Ricos contra pobres: a polêmica que se repete
Salomão não foi o único a puxar esse argumento. É linha recorrente do PT nos últimos anos: toda mudança que reduz imposto acaba pintada como favorecimento aos mais ricos.
Especialistas contestam essa leitura. Proporcionalmente, os mais pobres já pagam mais impostos que os ricos no Brasil. Quem ganha até R$ 372 por mês está entre os mais prejudicados pela estrutura tributária atual — justamente o oposto do que sugere a crítica do deputado.
Arrecadação bate recorde atrás de recorde
O debate sobre o IPVA acontece num momento de arrecadação recorde. A carga tributária brasileira chegou a 32,4% do PIB sob o governo Lula. Foram mais de R$ 7 trilhões arrecadados em impostos no último ano.
A tendência, segundo analistas, é de novos recordes pela frente. Nesse contexto, o alívio prometido pela PEC do IPVA ainda depende de votação em plenário — e, até lá, segue sendo só promessa.
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