Dinheiro
Fim da taxa das blusinhas faz compras online dispararem 100%

R$ 2,6 bilhões. Foi esse o valor movido em pequenas compras do exterior só em junho, segundo o Programa Remessa Conforme, da Receita Federal. O salto acontece dois meses depois de o governo suspender a cobrança sobre importados de até US$ 50 — a chamada taxa das blusinhas.
O recuo do governo na taxa das blusinhas veio em meados de maio, sob pressão política com as eleições no horizonte. Antes disso, o volume de remessas vinha em queda constante. Depois, virou o oposto.
Volume de remessas quase dobra em um mês
Os números, divulgados pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT), impressionam. Em junho, o Brasil recebeu 28,4 milhões de remessas — 118% a mais que em junho de 2025.
O valor pago nesses produtos chegou a US$ 574 milhões. Alta de 107% na comparação anual. Considerando a média dos dois meses sem a taxa federal, o crescimento no total de itens que entraram no país foi de 85%, segundo a própria Receita Federal.
Vale um detalhe: a taxa suspensa era federal. Os estados continuam cobrando 17% de ICMS sobre essas compras — a suspensão não eliminou toda a tributação, só a fatia de 20% que a União aplicava.
Não é só roupa que voltou a entrar no país
O apelido “taxa das blusinhas” engana quem pensa que o efeito ficou restrito à moda. A regra vale para qualquer produto importado por plataforma digital até US$ 50 — cosméticos, itens de casa, cama, mesa e banho, decoração, e por aí vai.
Por trás do apelido simpático, um universo bem maior de consumo represado. E que, aparentemente, só esperava a taxa sumir para voltar a girar.
O governo já deixou claro que a pausa pode não ser definitiva. O ministro Dario Durigan afirmou que o imposto pode retornar ainda em 2026 — depois das eleições — e que a equipe econômica segue acompanhando o cenário para agir se necessário. Ou seja: enquanto durar essa sinalização de volta da taxa em 2026, o consumidor aproveita — mas sabendo que o desconto tem prazo de validade.
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