Dinheiro
Maioria ganha menos de US$ 5 em aposta na Polymarket

Quase 130 mil dos 194.422 endereços que apostaram no campeão da Copa do Mundo pela Polymarket fecharam a operação no prejuízo. Entre os que lucraram, a média ficou abaixo de US$ 5 — enquanto um grupo de apenas 54 carteiras levou quase 60% de todo o dinheiro ganho no mercado.
A maioria mal sentiu o resultado no bolso
Dos 194.422 endereços analisados pela Dune Analytics no contrato de vencedor da Copa do Mundo da Polymarket, 129.649 (66,7%) perderam dinheiro. Os outros 64.773 saíram no lucro.
Para a grande maioria, porém, o valor em jogo era pequeno. Mais de 114 mil carteiras perderam menos de US$ 100 cada, com prejuízo médio de US$ 9,34. Do lado dos vencedores, quase 58 mil endereços lucraram, em média, apenas US$ 4,85 — praticamente simbólico diante do volume total movimentado pela plataforma.
Perdas também se concentraram em poucas mãos
Enquanto a base da pirâmide apostou pouco e perdeu pouco, um grupo reduzido de operadores assumiu posições muito maiores — e pagou caro por isso. Entre as carteiras com prejuízo, 369 perderam de US$ 5 mil a US$ 10 mil, e outras 375 ficaram no vermelho entre US$ 10 mil e US$ 100 mil.
No topo dessa lista, 43 endereços perderam mais de US$ 100 mil cada, somando um prejuízo conjunto de US$ 15,19 milhões — uma média de US$ 353 mil por carteira. Esse grupo representou apenas 0,02% da amostra, mas concentrou cerca de 40% de todas as perdas registradas, que somaram US$ 37,63 milhões.
Do outro lado da equação, o padrão se repetiu: 54 endereços, menos de 0,03% do total analisado, ganharam mais de US$ 100 mil cada, cinco deles superando US$ 1 milhão. Juntas, essas carteiras acumularam US$ 22,3 milhões, com lucro médio de US$ 413 mil por endereço — quase 60% de todo o retorno positivo gerado no mercado.
Volume recorde reacende debate sobre uso de informação privilegiada
O título de Espanha na Copa do Mundo movimentou cerca de US$ 5,57 bilhões em contratos ligados ao campeão nas duas maiores plataformas do setor: US$ 4,28 bilhões na Polymarket e US$ 1,29 bilhão na Kalshi.
Segundo estimativas da H2 Gambling Capital, os mercados de previsão chegaram a representar 27% do volume de apostas esportivas legais nos EUA durante o torneio — fatia que era de apenas 9% no início do ano, mesmo com a Polymarket, proibida no Brasil, seguir crescendo em outros mercados.
Esse salto de volume ocorre em paralelo a um aumento da fiscalização. Casos federais já em andamento envolvem um sargento do Exército dos EUA e um engenheiro do Google, acusados de negociar na Polymarket com base em dados sigilosos ou proprietários. A CFTC abriu investigação sobre a plataforma, e o deputado James Comer, à frente do Comitê de Supervisão da Câmara, iniciou apuração sobre como Polymarket e Kalshi monitoram esse tipo de prática.
A concentração de lucro nas mãos de poucos operadores não comprova, por si só, uso de informação privilegiada — mas mostra como diferenças de acesso a dados, tecnologia e capital podem distorcer o resultado de um mercado aberto a centenas de milhares de participantes.
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