Dinheiro
Parcelamento chega até no pedido de pizza — e o motivo preocupa

Aproximadamente 1,3 milhão de pedidos no iFood já foram pagos de forma parcelada desde que a função foi lançada — um volume que coloca até pizza e lanche na lista de compras a prazo. O dado chamou atenção porque revela algo maior do que conveniência: mudança na forma como o brasileiro está lidando com o próprio salário.
Comida parcelada: prática ou sintoma?
Pizza. Lanche. Prato do dia. São itens baratos, consumidos na hora — mas que agora entram na conta de forma fracionada, como se fossem uma compra maior.
Tem gente que trata isso como facilidade, sem mistério nenhum: parcelar dá controle sobre o fluxo de caixa pessoal, evita gastar tudo de uma vez.
Só que, na prática, o hábito também aparece como sintoma. Quando a refeição de hoje precisa ser dividida em parcelas futuras, o salário do mês já não está dando conta sozinho.
Por que os impostos entram nessa conta
De onde vem esse aperto? Desde que retornou à Presidência, em 2023, o governo Lula aprovou pelo menos 37 medidas que elevaram a carga tributária no país — parte delas conectada aos recordes de aumento de impostos registrados no período.
Mais imposto recolhido significa menos dinheiro sobrando no fim do mês. E o custo de vida não parou de subir junto — o que empurra famílias inteiras para o crédito, em um momento em que o brasileiro se afunda em dívidas.
O risco de transformar hábito em dívida
A pizza some da mesa em uma noite. A dívida que ela deixou, não.
Repetido mês após mês, o parcelamento de itens de consumo imediato pode virar armadilha: o consumidor compromete parte da renda futura só para cobrir uma despesa que já deveria caber no presente.
Só aumentar arrecadação não resolve esse ciclo. Falta controle do gasto público. Falta estímulo à geração de renda. E falta, principalmente, que o salário cresça no mesmo ritmo do custo de vida — não o contrário.
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