Dinheiro
Enxurrada de recuperações judiciais mostra que o Brasil não está nada bem

Mais de 6 mil empresas estão em recuperação judicial no Brasil. O número já seria preocupante sozinho, mas vem acompanhado de outro recorde: a dívida pública federal chegou a R$ 9,28 trilhões em julho.
Nos últimos anos, o governo Lula priorizou medidas para aumentar a arrecadação, enquanto os cortes de gastos ficaram em segundo plano. No dia a dia, a população sente isso no bolso. Para quem tem empresa, o aperto vem de vários lados. O crédito está caro, os juros continuam altos e ainda existe uma burocracia que dificulta a vida de quem tenta empreender no país.
Mais de 6 mil empresas em recuperação judicial
O Brasil terminou o primeiro semestre de 2026 com mais de 6 mil empresas em recuperação judicial ativa. O número é do Monitor RGF-BizDoc, levantamento feito a partir de informações da Receita Federal e dos Tribunais de Justiça.
Comércio e indústria de transformação estão entre os setores mais afetados. E são justamente dois setores bastante sensíveis ao crédito caro e à queda no consumo.
Para as empresas menores, a situação aperta ainda mais. Elas representam a maior parte das companhias inadimplentes e normalmente têm menos caixa para atravessar períodos longos de juros elevados.
Grandes empresas também estão sentindo
Não são apenas os pequenos negócios que estão com problemas.
A Casas Bahia pediu recuperação judicial para tentar reorganizar R$ 17,3 bilhões em dívidas. A empresa vinha enfrentando prejuízos bilionários e uma dívida cada vez mais pesada em um cenário de juros altos.
A Braskem foi por outro caminho. A petroquímica protocolou um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de R$ 56 bilhões em passivos financeiros.
O Grupo Gennius, ligado às marcas Habib’s e Ragazzo, declarou dívidas superiores a R$ 265 milhões. Inflação e crédito restrito pesaram nas contas.
A Marabraz também entrou para a lista. A rede de móveis recorreu à recuperação judicial com um passivo de aproximadamente R$ 140 milhões, além de enfrentar disputas familiares e queda no consumo.
E as contas do governo?
Enquanto empresas tentam colocar suas dívidas em ordem, o governo enfrenta um problema parecido em outra escala.
A estratégia dos últimos anos passou muito mais pelo aumento da arrecadação do que por cortes relevantes de despesas. Mesmo assim, a dívida pública continuou crescendo.
Em julho, a dívida pública federal chegou a R$ 9,28 trilhões, o maior valor já registrado.
É claro que não dá para colocar toda recuperação judicial na conta do governo ou da dívida pública. Empresas quebram por vários motivos: gestão ruim, endividamento excessivo, queda nas vendas, decisões erradas e problemas específicos de cada negócio.
Mas também seria difícil ignorar o ambiente em que elas estão tentando sobreviver. Juros altos encarecem empréstimos, capital de giro e renegociações. Quando uma empresa já está endividada, qualquer aumento no custo do dinheiro pesa.
Casas Bahia, Braskem, Grupo Gennius e Marabraz somam mais de R$ 73 bilhões em dívidas ou passivos envolvidos em processos de reestruturação.
São empresas diferentes e problemas diferentes. O ponto em comum é que todas precisam encontrar uma saída em um país onde tomar dinheiro emprestado continua caro — e onde mais de 6 mil empresas já precisaram recorrer à recuperação judicial.
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