Dinheiro
Empresas trocam o Brasil pelo Paraguai em busca de menos impostos e menos burocracia


No primeiro quadrimestre de 2025, o Brasil abriu 1.815.912 novas empresas. No mesmo período, 973.330 encerraram as atividades — e as dívidas negativadas de pessoa jurídica chegaram a R$ 213 bilhões só em dezembro. O país bate recorde de CNPJs enquanto sangra por baixo.
Esse é o retrato de um ecossistema que estimula a abertura e pune a continuidade.
O que o Grupo Mateus tem a ver com Ciudad del Este
O Grupo Mateus fechou 28 lojas no último ano. Demitiu 6,6 mil pessoas — 13,9% do quadro total. A empresa não entrou em colapso financeiro; fez uma reorganização deliberada diante de um ambiente que comprime margens sem aviso. Alta de juros, burocracia acumulada, estrutura tributária que não distingue quem cresce de quem sobrevive.
Não é um caso isolado. É o tipo de decisão que, multiplicada por milhares de empresas menores sem visibilidade de imprensa, explica boa parte dos 973 mil encerramentos.
12% contra 80%: a aritmética que move empresas para o Paraguai
Mais de 200 empresas brasileiras se instalaram no Paraguai nos últimos anos. O mecanismo é a Lei de Maquila — norma que permite a companhias estrangeiras voltadas para exportação produzirem no país pagando uma carga tributária média de aproximadamente 12%.
No Brasil, impostos e encargos trabalhistas combinados podem chegar a cerca de 80%. Essa diferença não é marginal. Ela determina se um negócio é viável ou não.
O aumento de impostos no Brasil nos últimos anos tornou essa comparação ainda mais difícil de ignorar para quem opera com margens apertadas.
O que os empresários dizem — e o que ficou por dizer
Quem já fez a mudança fala em previsibilidade, custo operacional menor e menos camadas de conformidade regulatória. O Paraguai virou referência entre empresários que buscam estrutura fiscal sem abrir mão de proximidade geográfica com o Brasil.
O que ninguém responde com clareza é quanto dessa migração representa perda permanente de capacidade produtiva e arrecadação para o Brasil — e quanto é só reorganização contábil que mantém a operação real do lado de cá.
Essa conta ainda está aberta.
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