Dinheiro
Lula recua da taxa das blusinhas após desgaste político


O imposto que ajudou a afundar os Correios tem data de encerramento. A partir desta quarta-feira (13), a chamada taxa das blusinhas — os 20% cobrados sobre pedidos em plataformas estrangeiras de até US$ 50 — deixa de existir. Lula assinou a medida provisória; a publicação no Diário Oficial da União ainda estava pendente quando o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, fez o anúncio.
“Isso só foi possível depois de um avanço para regularizar o setor”, disse Ceron. O que ele não disse é que boa parte da necessidade de “regularização” foi criada pelo próprio governo.
A taxa das blusinhas virou estorvo
O imposto surgiu dentro do Remessa Conforme, programa desenhado para alinhar as compras em plataformas estrangeiras à Receita Federal e tirar o comércio eletrônico de uma zona cinzenta tributária. A lógica fazia sentido no papel. O que veio foram reclamações em massa — sobretudo de pequenos empresários que competiam com Shein, Shopee e similares e, de repente, viram a equação de custos mudar sem que seus próprios preços caíssem junto.
Os Correios, que dependiam do fluxo de encomendas internacionais para sustentar parte da operação, absorveram o impacto direto.
Analistas políticos chegaram a classificar a cobrança como o tropeço mais custoso do governo até então. Não é contexto desprezível: o governo acumulou aumentos de impostos em tempo recorde, e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad foi apelidado de “Taxad” — uma fusão que dispensa tradução.
Eleições 2026 no horizonte
A MP chega com quase quatro anos de governo no lombo e eleições marcadas para outubro. Pode ser coincidência. O calendário político raramente é.
Para o consumidor, o efeito imediato é real: sem o imposto, produtos de até US$ 50 voltam ao preço anterior — com a ressalva de que as plataformas não necessariamente repassam a redução inteira. Isso ninguém mencionou na coletiva.
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