Dinheiro
Dolly é alvo de pedido de falência após dívida de R$ 15,75 bilhões

A falência da Dolly chegou à Justiça por meio de um pedido conjunto das procuradorias da Fazenda Nacional e do Estado de São Paulo. Os órgãos afirmam que a fabricante de refrigerantes acumula dívida ativa de mais de R$ 15 bilhões, resultado de 25 anos de tentativas frustradas de cobrança.
Como está dividida a dívida bilionária
Do total, R$ 8,3 bilhões pertencem à dívida ativa da União. Além disso, R$ 7,4 bilhões correspondem à dívida ativa do estado de São Paulo, enquanto o FGTS soma cerca de R$ 15 milhões.
Ou seja: União, FGTS e estado de São Paulo cobram, juntos, mais de R$ 15 bilhões de um único devedor — um valor que mostra a real dimensão do caso.
Procuradorias apontam estratégia de blindagem patrimonial
No pedido, os órgãos argumentam que o passivo não vem apenas de dificuldades financeiras pontuais. Pelo contrário: as procuradorias enxergam ali uma estratégia deliberada de blindagem patrimonial.
De acordo com as apurações, o grupo usou a Recuperação Judicial por quase oito anos, mas nunca registrou endividamento relevante com credores não fiscais. Na prática, portanto, a RJ serviu para desfazer atos constritivos que União e São Paulo já haviam determinado em Medidas Cautelares Fiscais. Além disso, abriu espaço para novas estruturas de planejamento tributário e proteção de bens.
Dono da empresa já foi preso por fraude fiscal
Em 2018, a polícia prendeu Laerte Codonho, dono da Dolly, sob acusação de fraude fiscal estruturada, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Na época, as investigações estimaram o valor desviado em R$ 4 bilhões.
O empresário ficou conhecido, inclusive, por chegar à delegacia exibindo um papel com os dizeres “Preso pela Coca-Cola” — episódio que marcou a repercussão do caso.
Agora, com o novo pedido de falência, a Justiça precisa decidir sobre uma dívida que já ultrapassa R$ 15 bilhões e se arrasta há mais de duas décadas.
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