Dinheiro
Ladrões do INSS: aposentado sofria descontos sem saber desde 2010

O escândalo dos descontos irregulares nos benefícios do INSS não para de ganhar novos desdobramentos. O que parecia um problema isolado pode ser apenas a ponta de um iceberg formado ao longo de décadas. Aposentados e pensionistas, muitos sem instrução ou acesso a informações, foram alvo de cobranças indevidas que passaram despercebidas por anos.
Um dos casos um idoso de 75 anos, cujo filho, após o escândalo vir à tona, decidiu verificar o extrato do benefício do pai. O que encontrou? Descontos não autorizados desde 2010.

“Meu pai mal sabe ler direito, nunca teve costume de conferir o extrato do INSS. A gente confiava que o sistema era seguro”, desabafou o filho, que preferiu não se identificar. A surpresa veio com a descoberta de que, sem qualquer assinatura ou autorização, o benefício do idoso era descontado mensalmente. Pior: mesmo após a denúncia, o INSS informou que as cobranças poderiam continuar por até dois meses até serem totalmente suspensas. Como alguém explica isso a um aposentado que já perdeu tanto dinheiro?
O rastro do dinheiro
As investigações apontam para o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi) como um dos principais envolvidos. Liderada por José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão do presidente Lula, a entidade viu seus repasses do INSS dispararem 414% entre 2019 e 2024.
Segundo a Polícia Federal, só em 2023, o Sindnapi arrecadou R$ 90,5 milhões. Em 2019, o montante era de R$ 17,6 milhões, enquanto nos três primeiros meses de 2024 já bateu R$ 26 milhões. A pergunta que fica: para onde foi todo esse dinheiro?
Os números impressionam, mas o impacto humano é ainda mais devastador. Muitos aposentados, como o idoso de 75 anos citado nesta matéria, não tinham ideia de que parte de seu sustento estava sendo desviada. “Por ser o dinheiro dele, nunca me preocupei em verificar. Quem imaginaria que fariam isso sem uma assinatura?”, questionou o filho, indignado. A confiança cega no sistema, que deveria amparar os mais vulneráveis, transformou-se em armadilha.
Um governo na corda bamba
O escândalo não poderia vir em pior hora para o governo Lula, já desgastado por críticas à política econômica que aperta o bolso dos brasileiros. A fraude nos benefícios dos aposentados jogou ainda mais lenha na fogueira.
Nesta última sexta-feira (2), o ministro da Previdência, Carlos Lupi, anunciou sua saída do governo. A demora em agir e a indicação do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto – agora afastado e alvo da operação –, pesaram contra Lupi. O governo tenta conter os danos, mas a confiança da população foi deteriorada.
O que fazer agora?
Para os aposentados e seus familiares, o momento é de alerta. Verificar os extratos dos benefícios no site ou aplicativo do Meu INSS é o primeiro passo. Qualquer desconto suspeito deve ser denunciado imediatamente.
A Polícia Federal segue investigando, mas o rombo, que pode ser muito maior do que os números já revelam, deixa uma lição amarga: confiar cegamente no sistema não é mais opção.
O caso do idoso de 75 anos é só um entre milhares. Quantos outros brasileiros ainda não sabem que estão sendo lesados? E, mais importante, até quando esses esquemas vão continuar sangrando os mais vulneráveis?
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