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Estado macroeconômico acima do esperado e ganhos setoriais específicos justificam otimismo atual na bolsa de valores

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A cada ano, investimentos que vão além da combalida poupança entram cada vez mais no dia-a-dia dos brasileiros. A interação entre a população e o mercado financeiro que outrora se limitava a saber as variações da Bovespa e de seu índice no fim do dia com o Jornal Nacional, além da taxa de conversão do dólar para o real, envolve hoje muitos outros pontos de contato entre pessoas físicas que entraram neste mundo a partir de investimentos em ações, fundos e até criptomoedas.

Informações de março de 2021 da B3 indicam que 3,5 milhões de pessoas físicas investem na bolsa de valores brasileira, com 482 bilhões de reais em suas carteiras de ações à época. Considerando que o valor dos títulos em posse destes investidores quase dobrou desde março de 2020, é possível imaginar que estes ainda mais se forem investidores ativos que acompanham recomendações de carteiras de suas corretoras e lançam mão de análise técnica em “day trade” já conseguiram melhorar sua posição desde então.

No entanto, mesmo investidores mais convencionais, que optam por “segurar” ações de companhias bem estabelecidas e deixar o tempo (e os dividendos) agir como motores dos seus potenciais lucros, têm ganhado. Os ganhos advêm principalmente de alguns setores em especial, que têm tido bastante vigor nos últimos meses, auxiliando a Bovespa a alcançar recordes históricos de pontos.

Bons ventos

Recentemente, o Bank of America classificou o Brasil como “overweight” em seu portfólio para a América Latina graças a uma série de fatores financeiros e macroeconômicos. Entre os fatores financeiros estão a dinâmica de lucros e o preço abaixo do esperado das ações, enquanto os fatores macroeconômicos são a recuperação do produto interno bruto e a saúde das contas públicas que superaram as expectativas de agentes do mercado.

O Bank of America destacou também sua confiança em alguns setores, como o de varejo tradicional, que têm se impulsionado nos últimos meses, além de investir em três dos grandes bancos brasileiros Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC4) e Itaú Unibanco (ITUB4) em sua última movimentação no mercado brasileiro. O setor de construção civil também está “no gosto” do banco estadunidense, o que explica em parte os altos ganhos da siderúrgica Gerdau (GGBR4) nesta semana.

O setor do entretenimento é outro segmento que também merece destaque. Na Bovespa, uma de suas poucas representantes é a Time For Fun, cuja cotação já superou os 84% de ganho desde seu ponto de preço mais baixo, no começo de março. Mas lá fora, as opções são mais variadas. Isto inclui o investimento em cassinos online, estando entre eles a Betway, cuja holding Super Group será combinada com a estadunidense Sports Entertainment Acquisition Corp para se tornar uma empresa pública na bolsa de valores de Nova York. Com isso, um dos mais famosos cassinos online, que oferece uma grande variedade de jogos de cartas e caça-níqueis, estará ao alcance também dos investidores internacionais. O mesmo já ocorre com uma outra gigante do entretenimento, a empresa de salas de cinema Cinemark, que tem tido um bom desempenho também na NYSE desde o começo do ano.

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Opções para reduzir ou aumentar riscos

Muitos avanços já foram feitos quanto à acessibilidade do mundo de investimento de ações aos que nada conheciam sobre. As grandes corretoras brasileiras são algumas das principais responsáveis por este desenvolvimento, com campanhas intensas não só no marketing, para divulgação de suas marcas, mas também no trabalho de educação dos agora milhões de investidores pessoa física que possuem carteira ativa na Bovespa.

Entretanto, o investidor brasileiro ainda é conhecido por ser conservador, principalmente em comparação a contrapartes de países mais desenvolvidos economicamente. Não é por menos que os 3,5 milhões de pessoas na B3 em março representam apenas 1,6% da população do país. Enquanto isso, o Japão tem quase 40% de sua população como investidores individuais.

Uma potencial solução para aumentar a participação da população no mercado de ações são os fundos de investimento. Estes incluem os fundos de investimento setoriais, dedicados a títulos de ação de empresas que atuem nos mercados destacados anteriormente, como comércio varejista e construção civil.

Do outro lado, estão os investidores com maior disposição ao risco e que querem investir seu dinheiro em mercados estrangeiros, batalhando não só com a volatilidade do mercado mas também com a taxa de câmbio. Para tanto, é possível investir a partir do Brasil em corretoras internacionais, com os ganhos em potencial sendo taxados de maneira semelhante aos realizados na bolsa brasileira, e através dos Exchange Traded Funds (ETFs), que aplicam recursos diretamente em fundos de índices estrangeiros ou que replicam estes fundos em sua carteira.

No mais, as condições atuais são ideais para os investidores que estão chegando agora ao mercado ou para aqueles que já estão envolvidos na bolsa há tempos. Tem-se otimismo o bastante dentro e fora do mercado financeiro quanto aos rumos da economia brasileira pra justificar essa boa energia, e as esperanças são de que ela possa ser mantida por muitos meses, senão anos, em nosso horizonte.

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