Empresas
Correios registram prejuízo de R$ 3,16 bilhões no primeiro trimestre de 2026


Os Correios fecharam o primeiro trimestre de 2026 com prejuízo de R$ 3,16 bilhões — quase o dobro do rombo registrado no mesmo período do ano passado. A reestruturação em curso não impediu o resultado, e um dado específico do balanço acendeu uma luz diferente: uma dívida trabalhista de R$ 1,06 bilhão que havia desaparecido das demonstrações anteriores voltou a figurar nos números.
O que o balanço revela
O TCU notou. A dívida potencial ligada a ações trabalhistas não é nova — mas sua ausência nas demonstrações anteriores sim. Quando um passivo some e reaparece, órgãos de controle têm razão em perguntar por quê.
A receita bruta entre janeiro e março chegou a R$ 4,04 bilhões, recuo de 2,2% frente aos R$ 4,13 bilhões do mesmo intervalo em 2025. A empresa até reduziu custos operacionais. As despesas, porém, continuaram cobrando a conta em ritmo próprio — e a receita não acompanhou.
Uma crise que não é novidade
Os Correios encerraram 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões, o pior da história da estatal. Desde 2022 a empresa opera no vermelho, e o primeiro trimestre de 2026 não sugere reversão. A má gestão e a taxa das blusinhas já vinham pressionando a situação antes mesmo deste balanço.
Para tentar reorganizar as finanças, a estatal recebeu no ano passado um empréstimo de R$ 12 bilhões com aval da União. Se a recuperação não vier, o contribuinte é o destinatário final.
O que a nova gestão promete
A expectativa declarada é tornar os Correios financeiramente sustentáveis. Os números do trimestre não confirmam nem contradizem esse horizonte — simplesmente não apontam para ele ainda.
Na prática, a estatal segue numa posição incômoda: corta onde pode, perde receita onde não controla, e carrega um passivo trabalhista que voltou à superfície na pior hora. O que vem no segundo trimestre vai dizer mais do que qualquer declaração de intenção.
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