Criptomoedas
Venezuela exigia pagamentos em Bitcoin e USDT na venda de petróleo

Enquanto o mundo discutia sanções e bloqueios financeiros, a Venezuela buscava saídas fora do radar tradicional. Longe dos holofotes, o país passou a usar criptomoedas como ferramenta estratégica para manter o comércio de petróleo ativo — uma decisão que hoje ajuda a explicar números impressionantes que começam a emergir.
Segundo relatórios de inteligência, a estratégia foi além do improviso. Ela pode ter construído uma das maiores reservas ocultas de criptoativos já associadas a um governo.
Uma reserva bilionária fora do sistema tradicional
De acordo com análises citadas pelos pesquisadores Bradley Hope e Clara Preve, ligados ao grupo Whale Hunting, o governo da Venezuela pode manter uma reserva secreta de Bitcoin e stablecoins avaliada entre US$ 56 bilhões e US$ 67 bilhões.
Nesse sentido, os dados sugerem que o país exigia pagamentos em Bitcoin e USDT de compradores internacionais de petróleo, especialmente em operações sensíveis a sanções. A medida reduzia a dependência do sistema bancário tradicional e dificultava o rastreamento e o congelamento de recursos.
USDT como porta de entrada, Bitcoin como proteção
Inicialmente, os pagamentos eram liquidados em USDT, por ser uma stablecoin amplamente aceita no mercado internacional. Contudo, relatórios de inteligência indicam que parte relevante desses valores foi convertida em Bitcoin ao longo do tempo.
O motivo é claro: reduzir o risco de bloqueio de contas. Enquanto stablecoins dependem de emissores centralizados, o Bitcoin oferece resistência à censura, algo fundamental para um país sob centenas de sanções econômicas.
O início da estratégia cripto remonta a 2018
As investigações apontam que o acúmulo de criptoativos teria começado em 2018, quando a Venezuela passou a vender ouro extraído do Arco Mineiro do Orinoco. Parte da receita dessas vendas teria sido convertida diretamente em Bitcoin.
Estimativas sugerem que cerca de US$ 2 bilhões em ouro foram trocados por BTC quando o preço da criptomoeda girava em torno de US$ 5.000. Isso teria resultado na aquisição aproximada de 400 mil bitcoins.
À época, a operação passou despercebida. Hoje, os números chamam atenção.
Valorização transforma estratégia em fortuna digital
Com o Bitcoin sendo negociado próximo de US$ 90 mil no início de 2026, apenas esse lote estimado de 400 mil BTC teria um valor atual em torno de US$ 36 bilhões. E isso sem considerar os volumes adicionais em USDT e outras stablecoins mencionados nos relatórios.
Ou seja, o que começou como uma saída de emergência para driblar sanções pode ter se tornado um dos maiores cofres digitais estatais do mundo.
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