Dinheiro
Desenrola Brasil 3.0 custará R$ 15 bilhões aos bons pagadores

O governo federal lançou uma nova fase do Desenrola Brasil, desta vez mirando dívidas antigas de pessoas físicas. O volume envolvido pode chegar a R$ 150 bilhões. Para comprar essas carteiras, a estimativa é de um gasto próximo de R$ 15 bilhões.
Podem entrar dívidas de até R$ 10 mil, considerando o valor original. O atraso também precisa cair dentro de uma faixa específica: mais de 720 dias e menos de 1.645 dias. Na prática, algo entre dois anos e pouco mais de quatro anos.
Desenrola Brasil 3.0 muda a renegociação
O funcionamento será diferente das fases anteriores do Desenrola.
Antes, a negociação acontecia entre o devedor e o credor dentro do programa. Agora, o governo poderá comprar lotes de dívidas em leilões e repassar ao consumidor o desconto obtido nessa operação.
A expectativa é de um deságio mínimo de 90%. É daí que vem a diferença entre os dois números: uma carteira que soma até R$ 150 bilhões pode ser adquirida por algo perto de R$ 15 bilhões.
Entram nessa conta dívidas bancárias e também débitos fora dos bancos, desde que cumpram as regras. Cartão de crédito e crédito pessoal sem consignação estão entre os casos previstos.
Endividamento das famílias bate 82%
O programa chega num momento em que o endividamento das famílias brasileiras está mais alto.
Em julho, 82% delas disseram ter algum tipo de dívida. Foi o maior nível já registrado pela série da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Em junho, eram 81,6%. Um ano antes, em julho de 2025, 78,5%.
O cartão de crédito continua pesando bastante. Segundo a CNC, 85% das famílias endividadas tinham compromissos ligados a ele.
Só que dívida e inadimplência não são a mesma coisa.
Em julho, 29,8% das famílias tinham contas atrasadas. Em junho, eram 29,9%. Agosto trouxe o índice de volta para 29,9%.
Programa já está valendo e ainda vai ao Congresso
O Desenrola Brasil 3.0 foi criado pela Medida Provisória 1.393, publicada em 25 de setembro de 2026.
Por ser uma medida provisória, já entrou em vigor. Mas ainda precisa passar pela Câmara e pelo Senado para virar lei em definitivo.
A previsão é que essa fase funcione até 30 de junho de 2028.
Até lá, o governo estima que até R$ 150 bilhões em dívidas possam se encaixar nas regras. Quanto será gasto de fato só vai aparecer depois dos leilões, dos descontos conseguidos e das carteiras que forem compradas.
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