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A conta que ninguém queria pagar: will bank vai à lona junto com o Banco Master

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Will Bank | Imagem: divulgação

Mais uma bomba no colo do FGC (e no nosso bolso)

Quarta-feira, 21 de janeiro de 2026. Data que vai ficar marcada como mais um capítulo sombrio do sistema financeiro brasileiro. O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Will Bank. Sim, aquele banco digital que prometia CDIs estratosféricos e conquistou quase 10 milhões de clientes.

A notícia não chega sozinha. Ela vem carregada de um peso que muita gente preferiria não sentir: mais R$ 10 bilhões de prejuízo que vão parar na conta do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). E adivinha quem, no fim das contas, paga essa fatura?

Spoiler: não é o Daniel Vorcaro.

Você tinha conta no Will Bank? Recebeu aqueles e-mails tentadores de CDB a 230% do CDI?

Banco Master onde tudo começou

Pra entender o tamanho do estrago, precisamos voltar alguns passos. O Banco Master já tinha colocado o FGC de joelhos. Até agora, foram desembolsados mais de R$ 40,6 bilhões para cobrir os rombos deixados pela instituição. Estamos falando de aproximadamente 377 mil credores que tiveram que acionar o fundo garantidor.

E agora? O Will Bank entra nessa dança macabra como mais um parceiro de valsa do Master. A conexão entre as duas instituições não é coincidência. Os dedos de Vorcaro estão por toda parte nessa história.

O que me deixa perplexo é a ousadia. Como assim um banco digital consegue operar oferecendo 230% do CDI por três meses? Ou 140% do CDI por seis meses?

Qualquer pessoa minimamente informada sobre o mercado financeiro sabe que o padrão é 100% do CDI. Quando alguém oferece muito mais, duas coisas são verdade: ou é golpe, ou está jogando com dinheiro que não é seu. No caso do Will Bank, parece que foi um pouco dos dois.

A estratégia (perigosa) de mirar nas classes C e D

Aqui mora um ponto que me incomoda profundamente. O Will Bank não foi atrás de investidores sofisticados ou grandes fortunas. A mira estava nas classes C e D. Gente que, em muitos casos, juntou suas economias acreditando na promessa de rentabilidade absurda.

Quase 10 milhões de clientes. Dá pra dimensionar?

Essas pessoas foram seduzidas por taxas impossíveis. E agora vão ter que acionar o FGC, torcer para conseguir o ressarcimento de até R$ 250 mil (limite da cobertura do fundo) e rezar para que o dinheiro chegue antes da aposentadoria.

Pesquisando, após a liquidação do Will Bank, cresceu o número de reclamações no Reclame Aqui. Entre as principais estão: dificuldade em pagar fatura após a liquidação do banco e retirada do dinheiro.

A verdade dolorosa é que esse modelo de negócio foi construído sobre areia movediça. Não existe mágica no mercado financeiro. Quando prometem milagres, desconfie. Sempre.

Daniel Vorcaro: o homem que pode derrubar a República

Enquanto milhões de brasileiros veem suas economias evaporarem, um nome segue livre e solto: Daniel Vorcaro. O pivô de toda essa confusão não está preso. Pior: há indícios claros de tentativas de blindagem por parte de integrantes do Judiciário e políticos de peso.

“Percebe-se ministro do STF sendo blindado.”

Essa frase, que circula nos bastidores de Brasília, resume bem o tamanho do buraco em que estamos metidos. Quando as instituições que deveriam zelar pela justiça se tornam cúmplices do caos, o que resta?

O apelido “homem que pode derrubar a República” não é exagero. Os tentáculos dessa operação alcançam esferas tão altas do poder que começamos a questionar se ainda existe algum freio institucional funcionando.

O FGC está preparado para essa pancada?

Vamos aos números frios. O FGC já desembolsou R$ 40,6 bilhões por causa do Banco Master. Agora pode ter que colocar mais R$ 10 bilhões na mesa por conta do Will Bank.

Estamos falando de mais de R$ 50 bilhões em perdas.

A pergunta que não quer calar: o Fundo Garantidor aguenta? E se não aguentar, qual é o plano B? Porque, convenhamos, ninguém está discutindo isso abertamente. As autoridades preferem tratar o assunto como “sob controle”, enquanto o sistema financeiro range.

O FGC foi criado justamente para momentos de crise, para proteger o pequeno poupador. Mas ninguém previu que seria testado de forma tão brutal, em tão pouco tempo, por instituições que operavam como cassinos disfarçados de bancos.

O que vem pela frente

A liquidação do Will Bank está decretada. Os prejuízos serão contabilizados. O FGC vai ter que abrir os cofres novamente. E milhões de brasileiros vão amargar perdas e esperar meses (talvez anos) para reaver o que é seu.

Enquanto isso, Vorcaro segue sua vida. Os políticos e magistrados envolvidos na blindagem permanecem em seus cargos. E o sistema financeiro brasileiro continua operando como se nada de grave tivesse acontecido.

Mas aconteceu. E pode acontecer de novo.

A pergunta que deveria estar na boca de todo brasileiro é: o que estamos fazendo para evitar a próxima catástrofe?

Porque se a resposta for “nada”, então prepare-se. A conta que ninguém queria pagar só tende a crescer.

Palavras finais

Não escrevo isso para espalhar pânico. Escrevo porque acho que precisamos de um choque de realidade. O sistema financeiro brasileiro está sob pressão.

O Will Bank foi à lona. O Banco Master também. Mas a verdadeira bancarrota pode ser a da nossa confiança nas instituições. E essa, diferentemente dos R$ 250 mil do FGC, não tem garantia nenhuma.

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