MEI
MEIs podem conseguir até R$ 21 mil em crédito em 2026; veja quem tem direito


O governo federal abriu uma linha de crédito para microempreendedores individuais do turismo com juros de até 5% ao ano, carência de seis meses e financiamento de até R$ 21 mil por operação. O anúncio soa amplo. Os critérios de acesso contam uma história diferente — e o número de elegíveis reais é bem menor do que a cobertura inicial sugere.
Para chegar ao dinheiro, o MEI precisa estar inscrito simultaneamente no CadÚnico e no Cadastur. O CadÚnico identifica famílias em vulnerabilidade social. O Cadastur é o sistema do Ministério do Turismo que formaliza trabalhadores do setor. Hoje, 46.273 microempreendedores constam no Cadastur.
Esse é o teto operacional do programa — não os milhões de MEIs ativos no Brasil, não os trabalhadores informais do turismo, não quem está pensando em se formalizar. Com R$ 100 milhões disponíveis e operações de até R$ 21 mil, a matemática financia no máximo 4.761 contratos.
O governo que já anunciou que planeja mudar a tributação dos Microempreendedores Individuais (MEIs) agora oferece crédito.
Crédito para MEI: quem pode acessar e o que o filtro duplo significa na prática
O público-alvo declarado inclui guias de turismo, motoristas, vendedores ambulantes de alimentos e bebidas, artesãos e outros trabalhadores da cadeia turística inscritos no CadÚnico. A linha vem do Fundo Geral de Turismo, o Fungetur, com garantia do Fundo de Garantia de Operações dentro do Programa Acredita no Primeiro Passo. As condições completas são juros de até 5% ao ano mais INPC, prazo total de 24 meses e os seis meses iniciais sem pagamento.
Há uma porta de entrada adicional que o anúncio menciona quase de passagem: quem ainda não tem empresa aberta mas está inscrito no CadÚnico pode abrir uma microempresa, se cadastrar no Cadastur e então solicitar o financiamento. O caminho existe. Quantas etapas ele exige de alguém que já opera na informalidade é uma outra conversa.
O que o programa revela sobre o MEI de baixa renda no turismo
A iniciativa expõe uma tensão estrutural que vai além do crédito. O trabalhador que mais precisa de capital — o ambulante, o artesão, o motorista informal — é exatamente quem tem menos probabilidade de estar formalizado nos dois sistemas exigidos ao mesmo tempo. O CadÚnico alcança famílias vulneráveis. O Cadastur alcança quem já deu o passo da formalização no setor. A interseção entre os dois é, por definição, uma fatia menor que qualquer um dos dois universos separados.
O governo prevê ampliar o programa para todo o país depois da fase nordestina. Sem prazo definido, sem meta de contratos, sem critério público para avaliar quando a expansão acontece.
Na prática, o MEI de turismo que lê sobre esse crédito hoje precisa checar duas listas antes de qualquer outra coisa: está no CadÚnico? Está no Cadastur? Se a resposta for não para qualquer uma, o caminho até o financiamento passa primeiro por burocracia — e só depois pelo Banco do Nordeste. O programa existe, as condições são competitivas para o perfil de renda do público-alvo, e R$ 100 milhões não é pouco para um piloto regional. Mas entre o anúncio e o dinheiro na conta de um vendedor ambulante em Fortaleza há uma distância que os critérios de elegibilidade tornam muito concreta para ignorar
Com informações Agência Brasil
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