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Ações da Oi vai subir?

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As ações da Oi (OIBR4 e OIBR3) são um grande exemplo de empresa cuja ações estão passando por extrema especulação noticiosa, principalmente por conta de sua recuperação judicial aprovada em outubro de 2017 e com desdobramentos que vêm até o momento em que escrevo este artigo, depois que, em 20 de dezembro, o plano foi finalmente aprovado pelos credores: os principais acionistas não aceitam que 75% das ações sejam entregues aos credores (conversão da dívida em capital), assim, sem mais.

Eu não tenho como saber o momento em que você está lendo este texto – talvez tudo o que agora acontece quanto às ações da Oi (OIBR3 e OIBR4) já seja passado pra você, talvez a Oi e suas ações OIBR4OIBR3 nem existam mais! -, mas o objetivo não é ser factual e imediato, mas demonstrar como é importante, para quem quer negociar ações, ter uma leitura de mercado objetiva do contexto e o menos contaminada possível.

O que é especulação de ações na bolsa de valores, afinal de contas?

É curioso observar que, habitualmente, são os traders que fazem uso da análise gráfica os acusados de serem especulativos quando, na verdade, são estes que vão à informação mais direta e verdadeira, aquela que não mente e é mais imediata: o preço.

Não existem ações baratas ou caras: existe o que o mercado está pagando, principalmente quando falamos de negociações de curto prazo. E este é o caso das ações da Oi (OIBR4 e OIBR3) na bolsa de valores.

Enquanto a Oi bate o pé dizendo que o plano de reestruturação aceito pelos credores aceitou os mais altos padrões de governança – aprovados pela Sétima Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro – e a Bratel (que, então, detém 22% do controle acionário) também bate o pé discordando e ameaçando processar toda a diretoria e gerência da empresa, o investidor se pergunta: devo ou não comprar ações da Oi (OIBR4 e OIBR3)? Ao que parece, o plano de reestruturação seguirá em frente independentemente de tudo. Mas, dito isso, o que fazer?

Como saber se devo comprar ou vender ações da Oi (OIBR4 e OIBR3)

Neste artigo, vamos falar sobre como comprar ações da oi (OIBR4 e OIBR3), como avaliar se é melhor comprar OIBR4 ou OIBR3 (ou vender OIBR4 ou OIBR3) e, se realmente é a melhor decisão fazer isso unicamente se baseando notícias, boatos, balanços, resultados de assembleias e outras informações que, muitas vezes, já estão precificadas antes mesmo de terem sido divulgadas.

HISTÓRICO DA EMPRESA OI

Independentemente do resultado desta história toda, a Oi já entra para a história econômica do Brasil como a protagonista da maior recuperação judicial de todos os tempos em nossas terras.

São:

  • 65 bilhões de dívida
  • 55 mil credores

Atualmente, a Oi tem 64 milhões de clientes em todo o país, atendendo 5 mil municípios (em 40% destes, é a única presente), recolhendo quase R$ 10 bilhões em impostos todos os anos e investindo R$ 5 bilhões anuais em expansão e melhoria da sua rede. A Oi tem 130 mil empregados diretos e tem influência sobre 440 mil empregos indiretos.

Sem a Oi, 2.051 municípios podem ficar sem serviços de internet e telefonia.

Como a Oi chegou nisso

Oi surgiu com a privatização da Telebras em 1998, com uma venda de R$ 22 bilhões, a maior daquela década: o negócio originou a Telemar Norte (futura Oi) e a Brasil Telecom, comprada pela Oi dez anos depois. A união da Oi e da Brasil Telecom resultou na criação de uma empresa com receita bruta anual de mais de R$ 40 bilhões, responsável por 22 milhões de telefones fixos e 30 milhões de celulares.

O financiamento dessa operação (estimada em 12,5 bilhões de reais) veio do BNDES (R$ 2,5 bilhões), do Banco do Brasil (R$ 4,3 bilhões) e fundos de pensão (R$ 3 bilhões).

Portugal Telecom entra na história da Oi

Em 2010, a Portugal Telecom, depois de uma série de peripécias diplomáticas e empresariais, comprou pouco mais de 22% da Oi por R$ 9 bilhões.

Finalmente, em 2013, Oi e Portugal Telecom começaram a flertar com a ideia da fusão das duas empresas.

Mas a empresa portuguesa resolveu levantar capital para transação comprando a dívida de um grande banco privado local e só receberia esse valor muito tempo depois, sem combinar os detalhes disso com a parte brasileira, a Oi, que precisava do dinheiro.

E para logo!

Para completar, a Portugal Telecom deu o calote. A Oi passou a negociar a venda da Portugal Telecom.

Sem sucesso no negócio desde então, passando por uma série de ofertas bilionárias que não foram aceitas, passando até pela possibilidade de união com a rival Tim, e por uma crise de confiança generalizada, a Oi chegou a 2016 com a atual dívida de R$ 65 bilhões. A Anatel deu garantias de que não intervirá no processo por acreditar que a empresa vai se recuperar.

Enquanto as ações da Oi despencavam, o Índice Bovespa se resguardava a fim de garantir dados positivos, tirando as ações da Oi de sua composição.

DEVO COMPRAR AÇÕES OIBR3 OU OIBR4

As ações OIBR3 são ordinárias também conhecidas como ON. Geralmente, ações terminadas em 3 são ordinárias.

As ações OIBR4 são preferenciais também conhecidas como PN. Geralmente, ações terminadas em 4 são preferenciais.

Qual a diferença entre ações ordinárias (OIBR3) e ações preferenciais (OIBR4)

Grosso modo, a diferença entre ações da oi, ordinárias (OIBR3) e preferenciais (OIBR4), é que as primeiras têm direito à voto e as outras não têm direito à voto, mas preferência no pagamento de direitos, como dividendosjuros sobre capital próprio e outros, como o recebimento de valores, em caso de falência.

Ações ordinárias da Oi: OIBR3

Diga-se de passagem que, se você tem cem ações OIBR3 da Oi – ou mesmo cem mil delas – pouco vai pode apitar nas assembleias; com o objetivo ter relevância é preciso um “pouquinho” mais do que isso. Então, sob esse aspecto, ações ordinárias da Oi (OIBR3) têm pouca relevância no sentido de ter voto ou não para pequenos investidores como eu ou você (até a faixa de milhões de reais apenas).

Uma vantagem particularmente interessante neste momento das ações da Oi (OIBR3 e OIBR4) é que as ações ordinárias (OIBR3), no momento de uma mudança de controle acionário, a companhia que estiver adquirindo a empresa, o bloco controlador é obrigado a fazer uma oferta pública de aquisição de ações ordinárias que estejam em mãos de acionistas minoritários (incluindo nós, pequenos investidores). Essa oferta é de pelo menos 80% do valor pago pelas ações do grupo controlador que está cedendo o controle. O nome disso é tag along.

Por isso, é comum que ações ordinárias como a OIBR3 em momentos de mudança de controle acionário acabem valorizando mais que as ações preferenciais como a OIBR4.

Seria o momento de comprar, então, ações ordinárias da Oi (OIBR3) ou será que o mercado já precificou um possível tag along?

Ações Preferenciais da Oi (OIBR4)

Ações preferenciais (PN), como o nome sugere, têm a preferência no pagamento de dividendos mas não têm direito à voto.

Se a Oi falir vale a pena ter ações preferenciais da Oi (OIBR4)?

Existem alguns poucos casos – e isso depende do estatuto da empresa – em que o efeito do tag along (que explicamos no item acima sobre a ordinária OIBR3) se estende também às preferenciais (OIBR4). Seria um bom motivo pra ter ações preferenciais?

Um bom motivo para optar pelas preferenciais (OIBR4), por si só, é que além de ter a preferência em receber dividendos, por lei, esses dividendos devem ser ao menos dez por cento maiores que os pagos às ações ordinárias (OIBR3).

Ah, sim. Caso não tenha ficado claro, as ações ordinárias (OIBR3) também podem receber dividendos, apenas não os recebem primeiro e não têm a preferência.

Uma das grandes vantagens no caso das preferenciais é que elas tendem a ter mais liquidez visto que os detentores das ordinárias, sobretudo os majoritários, não costumam negociá-las pois são importantes ao controle das empresas. E, se compramos para vender no curto prazo, é importante que possamos negociar quando há necessidade de realizar um lucro ou evitar que um prejuízo se agrave.

O QUE ESPERAR PARA AS AÇÕES DA Oi (OIBR3 E OIBR4) PARA OS PRÓXIMOS MESES

Enquanto todas as questões da recuperação judicial – que, devemos lembrar, é monstruosa – não estiverem nos trilhos e com o trem andando, as ações da Oi (OIBR3 e OIBR4) continuarão com seu teor especulativo.

Os analistas podem até dizer que, com a recuperação judicial aprovada, elas valem bem mais, mas, na prática, o mercado ainda não aprovou a matemática da análise fundamentalista: os preços continuam muito, mas muito abaixo deles.

Resumindo: uma ação vale aquilo que o mercado diz que ela vale naquele momento.

Enquanto isso, o preço das ações da oi, bem como o preço de qualquer outro papel, é controlado pelos grandes investidores institucionais, que precisam montar posições gigantescas de ações a determinados preços.

Por isso, a metodologia do Raio X Preditivo não se baseia em especulações noticiosas ou mesmo em dados da análise fundamentalista, ampliando o foco de sua análise para o que estão fazendo esses grandes investidores institucionais.

Embora esses gigantes tentem esconder seus movimentos, eles são facilmente detectados por algumas instrumentos de leitura do mercado.

O Raio X Preditivo não tenta adivinhar o que vai acontecer daqui a meses, mas olha para o presente, identifica as causas dos movimentos dos preços que estão se consolidando e aponta as consequências mais prováveis. Para isso, utiliza ferramentas teóricas – algumas delas até contrariam a Análise Técnica Clássica – e ferramentas práticas (um arsenal de indicadores simples, poderosos e fáceis de usar) e, com isso, encontra as pistas deixadas no gráfico pelos investidores institucionais.


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